domingo, 8 de dezembro de 2019


Pensava que ia servir ao Exército.

Todo o adolescente homem, quando está se aproximando dos 17 anos, fica numa grande expectativa com relação ao Serviço Militar. Muitos desejam servir e não são aprovados... Outros vão a contra gosto por ser obrigatório. Muitos carecem do certificado de dispensa de incorporação para obterem um emprego.

Quando eu saí da casa da minha falecida avó Ana, com quem havia brigado por causa de um tomate, eu tinha feito o alistamento militar e aguardava a inspeção de saúde pra saber se iria ou não tirar um tempo no quartel. Enquanto isso, eu me divertia olhando pela janela da pensão onde morávamos com meu tio Elias e outros colegas dele; funcionários do DER, no Bairro da Cango em Francisco Beltrão – PR, de cuja janela permitia visualizar os treinamentos dos recrutas  no pátio do 21° Batalhão. Era muito engraçado quando o comandante gritava: “DIREITA... VOLVER!!!” algum recruta sempre confundia a direção, se voltava para a esquerda e dava de cara com os colegas enfileirados. Lembro que o mascote deles era um bode, que acompanhava o comandante em todos os desfiles.


Finalmente chegou o dia da inspeção de saúde. Era uma manhã de muito frio e nos encontramos cerca de uns 30 candidatos numa sala da unidade militar no centro de Francisco Beltrão. Um militar ordenou que entrássemos num vestiário e tirássemos toda a roupa e retornássemos na mesma sala. Ali ficamos enfileirados, aguardando um ao lado do outro, completamente despidos em posição de sentido.

Eu era o menorzinho, 1,60m tava arrepiadinho, não sei se de vergonha ou de frio. Eu nem olhava para os lados. De repente uma voz de militar gritou para alguém da fila: “Tire as mãos da frente! Tá escondendo o quê?”
O inspetor olhava cada um de alto abaixo, examinava os dentes e escrevia uns números no peito de cada um com um pincel atômico em tinta na cor vermelha. Aguardamos assim pelados, por alguns minutos que pra mim parecia uma eternidade. Finalmente alguém ordenou que vestíssemos as roupas.

Antes de deixar as dependências militares, perguntei a um dos homens de farda, querendo ser gentil: “O senhor acha que eu vou servir ao exército?” - Ele olhou pra mim com desdém e vociferou: - Você não serve nem pra bucha de canhão!
Como diria um amigo meu do nordeste: me deu uma "réiva". Peguei uns 10 tipos de nojos da atitude daquele sujeito!

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