Pensava que
ia servir ao Exército.
Todo o
adolescente homem, quando está se aproximando dos 17 anos, fica numa grande
expectativa com relação ao Serviço Militar. Muitos desejam servir e não são
aprovados... Outros vão a contra gosto por ser obrigatório. Muitos carecem do
certificado de dispensa de incorporação para obterem um emprego.
Quando eu saí
da casa da minha falecida avó Ana, com quem havia brigado por causa de um tomate,
eu tinha feito o alistamento militar e aguardava a inspeção de saúde pra saber
se iria ou não tirar um tempo no quartel. Enquanto isso, eu me divertia olhando
pela janela da pensão onde morávamos com meu tio Elias e outros colegas dele;
funcionários do DER, no Bairro da Cango em Francisco Beltrão – PR, de cuja janela
permitia visualizar os treinamentos dos recrutas no pátio do 21° Batalhão. Era muito engraçado
quando o comandante gritava: “DIREITA... VOLVER!!!” algum recruta sempre confundia a
direção, se voltava para a esquerda e dava de cara com os colegas enfileirados.
Lembro que o mascote deles era um bode, que acompanhava o comandante em todos
os desfiles.
Finalmente
chegou o dia da inspeção de saúde. Era uma manhã de muito frio e nos encontramos
cerca de uns 30 candidatos numa sala da unidade militar no centro de Francisco
Beltrão. Um militar ordenou que entrássemos num vestiário e tirássemos toda a roupa
e retornássemos na mesma sala. Ali ficamos enfileirados, aguardando um ao lado
do outro, completamente despidos em posição de sentido.
Eu era o
menorzinho, 1,60m tava arrepiadinho, não sei se de vergonha ou de frio. Eu nem
olhava para os lados. De repente uma voz de militar gritou para alguém da fila:
“Tire as mãos da frente! Tá escondendo o quê?”
O inspetor
olhava cada um de alto abaixo, examinava os dentes e escrevia uns números no
peito de cada um com um pincel atômico em tinta na cor vermelha. Aguardamos
assim pelados, por alguns minutos que pra mim parecia uma eternidade.
Finalmente alguém ordenou que vestíssemos as roupas.
Antes de deixar
as dependências militares, perguntei a um dos homens de farda, querendo ser
gentil: “O senhor acha que eu vou servir ao exército?” - Ele olhou pra mim com
desdém e vociferou: - Você não serve nem pra bucha de canhão!
Como diria um
amigo meu do nordeste: me deu uma "réiva". Peguei uns 10 tipos de nojos da atitude daquele
sujeito!

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