sexta-feira, 6 de julho de 2018

Oi Shirlei! Eu gostei da tua crônica anterior
Então minha filha, manda outra... eu deixo.

Shirlei Noveletto - Administradora de empresa

ESTÁ ESCURO AQUI!

Eu gosto do escuro... meus defeitos ficam menos visíveis, e por vezes nem são percebidos. É mais fácil ser eu mesma sem ninguém me observando.
Eu gosto do escuro... ele me permite relaxar todos os músculos, descontrair o abdômen... descansar. Eu gosto do escuro... ele me traz a legitimidade do meu ser e ao mesmo tempo me permite ser outras, ser quem eu quiser ser.
Eu gosto do escuro... ele me liberta das regras, da postura, da exigência. Eu gosto do escuro... a forma envolvente que ele me abraça, me acalma... Eu gosto do escuro... ele me isenta da maquiagem, dos penteados, da perfeição que nunca consegui alcançar. Eu gosto do escuro... de olhos abertos ou fechados não faz diferença, é escuro, e também é calmo, é mais leve e menos doloroso. O cheiro das flores me incomoda um pouco, eu sei que são trocadas toda semana, a cera da vela as vezes escorre pelas frestas do mármore, invade a madeira e gruda nos meus cabelos, e mesmo no escuro eu tento me livrar da parafina. Ouço as preces da minha mãe do lado de fora, todos os dias, sempre no mesmo horário, tenho a impressão que ela chora... tá tudo bem mamãe... Eu gosto do escuro.

quinta-feira, 5 de julho de 2018


BLOGGER PARTILHADO
Shirlei Noveletto - Administradora de empresa
Vou partilhar meu espaço aqui com alguém muito especial. Minha filha, Shirlei Noveletto, aquela menina que nasceu no banco traseiro de um fusca da Copel e que teve seu pai como parteiro. Pedi a ela que publicasse algumas crônicas, uma vez que ela se expressa muito bem, característica de quem lê bastante.
Vai lá, minha filha!
Agora é contigo.

E O QUE VOCÊ TEM POR DENTRO???? 
 E quando a vi adentrando o salão de festas, com seu luxuoso vestido azul, me encolhi na cadeira, conseguia ver a ponta de seus sapatos importados, reluzindo a cada passo que dava, escondi meus pés debaixo da mesa... Ela tinha em seus pulsos adereços de prata e um colar de esmeralda enfeitava seu colo... e eu tinha apenas os brincos pequenos de pérola herdados de minha avó... Seus cabelos soltos lembravam o por do sol... de um avermelhado quase
natural... senti-me envergonhada pelo coque simples que tinha feito minutos antes... Quando se aproximou, o seu perfume tomou conta do ambiente, o mesmo cheiro das rosas de meu jardim... desejei que ela não me cumprimentasse, para que eu não precisasse expor minhas mãos calejadas e as unhas sujas de terra... Ela apenas sorriu, seus dentes eram brancos e enfileirados... lembrei-me das constantes dores de dente que eu tinha, e como foi difícil me adaptar a dentadura... Era estranho, mas ao observá-la bem, percebi que apesar do brilho de suas jóias, seus olhos eram apagados, não tinham vigor, como se estivessem ali somente para tampar-lhe os buracos da face... e me recordei da velha frase proferida tantas vezes por meu pai: “os olhos são a janela da alma” E o que eu via em seus olhos era uma alma vazia... Senti-me, então, um pouco
mais confiante, não por ter descoberto as fraquezas daquela mulher, mas por saber que de alguma maneira estávamos em pé de igualdade, pois o brilho que ela trazia por fora... eu carregava por dentro... E orgulhei-me do meu vestido surrado, dos meus sapatos simples, apalpei meus brincos pequenos e alinhei-me na cadeira... coloquei minhas mãos sobre mesa, deixando de lado a vergonha que senti a poucos instantes... afinal, eu adorava mexer com a terra, e meus calos representavam meu esforço... E desde então, não me envergonho do que trago por fora... orgulho-me do sou e das escolhas que me trouxeram até aqui...


POR DEUS ESCAPEI DO NAUFRÁGIO DA BALSA 

Se eu estivesse no lugar do cobrador, o saudoso Luizinho, a história poderia ser diferente...

Numa tarde, quando cheguei à garagem da empresa, fui comunicado por um dos gerentes que eu fora escalado para o dia seguinte fazer a linha Francisco Beltrão para Boa Vista de Aparecida, passando de balsa sobre o Rio Iguaçu pelo porto Picheque. O motivo  da mudança de escala, me disse o Orlando, seria para favorecer o cobrador Luizinho que precisava ir à Dois Vizinhos apanhar roupas, uma vez que seus familiares residiam naquela cidade. 

Cerca de uma semana depois dessa mudança de itinerário, na manhã do dia 20 de setembro de 1973, ao chegarmos à margem esquerda do Rio Iguaçu para atravessarmos de balsa, o operador havia resgatado do leito do rio, uma considerável quantidade de capacetes com características de empregados da DM construtora da obra de Salto Osório. Capturou também algumas caixas vazias de bebidas, diversas poltronas de ônibus e o corpo de uma mulher semi- nua com uma sacola a tira-colo contendo roupinhas de bebê. O corpo feminino estava amarrado numa estaca  à margem do porto. 

Ninguém sabia explicar o que havia ocorrido há uns trinta quilômetros acima, com a Balsa, no porto de Foz do Chopim, operada pela empresa Andreis.  Naquela época a comunicação era muito precária e chegavam sempre distorcidas as "fake news caipiras". Não tínhamos dúvidas quanto as evidências de uma tragédia. Passamos um dia de muita tristeza, lamentando a possível morte de nossos colegas e só tomamos conhecimento dos fatos, ao final da tarde quando chegamos em Francisco Beltrão. Felizmente pudemos abraçar nossos colegas, o motorista Altamir e o cobrador Luizinho que se salvaram do naufrágio.

O Luizinho veio a falecer alguns anos depois num trágico acidente de moto próximo à cidade de Cascavel. O motorista “Negão”, como carinhosamente o chamávamos vive ainda em Francisco Beltrão.
Se não houvesse a troca de escalas uns três dias antes, eu seria o protagonista do acidente que ceifou a vida de dezenas de pessoas. Veja como ocorreu o acidente narrado pelo motorista Altamir.

FATO
O Rio Iguaçu estava cheio, transbordando pelas margens. Chovia naquela tarde. Quando a Balsa encostou na margem direita do Rio, para fazer a travessia, chegaram alguns caminhões conhecidos como "pau-de-arara" carregados de peões que trabalhavam na obra da Usina de Salto Osório e subiram todos na balsa. Havia lanchas num porto adequado, mas pela pressa embarcaram todos na balsa mais de uma centena de pessoas. Na balsa estavam além dos passageiros, dois caminhões caçamba da DM, um caminhão de bebidas do Nodari, um automóvel táxi do Bagatini e o ônibus da Cattani – carro 28, único modelo “FeNeMê” da frota, reverenciado por todos os colegas pelas suas peculiaridades idêntico ao modelo aqui exposto.
Idêntico ao ônibus da Cattani que naufragou na tragédia

terça-feira, 3 de julho de 2018


JÁ FUI COBRADOR DE ÔNIBUS
Uma experiência marcante que mudou muitos conceitos para mim.

Depois que  briguei com a minha avó, por causa de um tomate cerejinha, decidi ir embora. Já estava com 17 anos e não via futuro nenhum trabalhando na lavoura.
Muito chateado, chamei meu saudoso avô comuniquei a ele minha decisão em caráter irrevogável. Nervoso e gaguejando muito, concluiu que aquela era uma decisão acertada pra mim. Acho que ele também já estava de saco cheio comigo.
De manhã cedo, peguei uma carona com o Zé padeiro e fui parar em Pato Branco. Na casa da tia Maria que me acolheu por ser detentora de um coração maior do que ela.
Em Laranjeiras do Sul - PR
E agora, o que fazer com um camaradinha: “mais perdido que calcinha em noite de núpcias”? Eu mais parecia aquele mineiro perdido que ao chegar na cidade grande definiu direitinho a sua situação parecida com a minha: “Não sei onkotô, donkovin e nem poncovô”!
Usando dos seus conhecimentos e a sua influência de amizades que tinha na sua igreja evangélica, minha tia muito habilidosa começou a procurar serviços pra mim. Conseguiu com um velho conhecido um trabalho temporário pra eu ajudar  fazer umas prateleiras na loja do Rozimbo. Em poucos dias o trabalho acabou e lá estava eu de novo “matando cachorro a grito”.  Foi quando surgiu outra oportunidade, ajudar na pintura de paredes residenciais. Mas lá também o emprego não demorou muito pra acabar.
Foi quando minha tia conseguiu pra mim uma atividade de ajudante de calceteiro. Para desempenhar as atividades de puxar terra, pedras irregulares e paralelepípedos para calçar ruas. Eu ajudei a calçar um trecho da Rua Tocantins em Pato Branco. Mas foi por pouco tempo. Uma chuvarada prolongada inviabilizou os trabalhos no calçamento. Foi então que o Tio Elias, homem de alma boa convidou-me pra buscar alguma atividade em Francisco Beltrão.
Naquela cidade, fui morar em uma república atrás do quartel do Exército, juntamente com tio Elias, e mais três colegas seus, funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem. E sabem o que eu fazia lá? – Nada. Pela janela do prédio ficava olhando as atividades dos recrutas.Ria muito quando o comandante gritava: - Esquerda volver! – e o soldado novo virava pra direita e dava de frente com o colega.

Em uma manhã de segunda-feira, o Luiz Carlos, um dos colegas do meu tio, retornou à república onde morávamos para apanhar alguns documentos. Eu estava lendo meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos. Eu lia muito e me identificava com o Zezé, personagem do livro.
Luiz Carlos me perguntou se eu gostaria de arrumar um emprego. Falei que sim, que estava ali pra isso. Então perguntou-me se poderia ser de cobrador de ônibus. Consenti. Aliás esse era o meu maior sonho. Ser cobrador de ônibus. Conduziu-me então até à garagem da empresa onde funcionava também o RH. No meio do pátio estava acocorado o Sr. Orlando, chefee e proprietário da empresa. O Luiz Carlos cumprimentou e disse-lhe: - Dê emprego de cobrador pra esse menino! – Orlando olhou pra minha estatura e perguntou: - Tem carteira profissional e carteira de saúde? – Respondi que sim! – Então começa amanhã. Foi nessa oportunidade que eu entendi o significado da sigla QI. Não como Quociente de Inteligência, mas como Quem Indica.

sábado, 3 de janeiro de 2015

“Os mar que vem pra bem”


Na escola aprendi que meu nome é um erro de concordância, e que deveria ser: O mar ou Os mares, em se tratando de oceanos estaria correta a ortografia, considerando os efeitos cacofônicos.

Há um dito popular que afirma: “Deus escreve certo por linhas tortas”, eu contesto e reafirmo que Deus escreve certo por linhas certas, pois o mundo me ensinou que há “muitOsmar que vem pra bem”.

Deus pode transformar o mal em bem, a exemplo da história de José, vendido por seus irmãos como escravo e que depois se tornou governante do Egito para salvar não somente seus irmãos, mas toda a casa de Israel da destruição.


Entenda por que um pequeno tomate mudou o destino da minha vida
Nasci no interior de Coronel Vivida, que na época se chamava Barro Preto, num lugarejo do sudoeste do Paraná chamado de Jacutinga, embora no meu registro conste como natural de Chopinzinho. Muito cedo mudamos para Mangueirinha, onde passei toda minha infância e adolescência morando na lavoura em um sítio no interior do Portão, perto do Morro Verde.

Deixei a casa paterna aos 13 anos de idade, por incompatibilidade de gênios com meu velho pai, o professor Oscar, portador da doença do alcoolismo e que faleceu aos 54 anos, embriagado e deixou-nos um grande legado de coisas que não se deve fazer.
Fixei residência na casa dos meus avós maternos dona Ana e o velho Ludovico que me acolheram com toda bondade e carinho. Em troca da morada e a comida eu os ajudava na lavoura, arando, plantando, colhendo e ajudando na lida da roça.

Numa manhã de sábado, dia limpo, bem cedinho atrelei a junta de bois no arado e fui pra lida. Ao chegar no local onde iria preparar a terra me deparei com um lindo pé de tomate cerejinha que nascera espontaneamente justamente no local onde passaria com o arado. Como estavam maduros, colhi-os e guardei sob um sombreiro. 

Por volta das 10h da manhã, como o sol já estava quente e pra não judiar dos bois, coloquei os tomates no chapéu de aba larga e voltei pra casa. Antes de tirar a canga dos bois passei em casa e deixei sobre a mesa o chapéu cheio de tomatinhos vermelhos. Soltei os animais no pasto, guardei o “arriame” e estava entrando na cozinha com a goela seca de vontade de tomar um chimarrão. 

Minha avó uma italiana daquelas que quando falava fazia tinir as panelas penduradas no paneleiro, estava fazendo polenta. Morava temporariamente na casa da vó, uma garotinha de uns quatro ou cinco anos de idade que teve a péssima ideia de apanhar um daqueles tomatinhos que tão sofregamente eu trouxera, colocar no assoalho e pisotear sobre ele transformando-o numa meleca. 

No exato momento em que pisei o degrau da escada, ouvi os impropérios da minha avó numa frase que até hoje retumba nos meus ouvidos: “Não sei por que trazem essas merdas pra dentro de casa, só pra fazer sujeira”! Fiquei paralisado com o que ouvi. Minha avó; chamara de merda os tomatinhos que eu havia colhido com tanto carinho e trazido para ajudar na culinária. 

A “Véia Ana” estava indignada, não com a menina que esmagou o fruto no assoalho, mas comigo por que havia recolhido e imaginado ter feito uma boa ação. Aquilo doeu mais que uma cacetada, doeu na alma. Estragou o meu dia. Não entrei em casa. Saí, não almocei, voltei pra lavoura catei algumas folhas verdes e pepinos pra saciar a fome. Voltando à noite não jantei, deitei mas não dormi. Estava emburrado e muito triste. Pensei, chorei e decidi: Vou embora daqui. 
Luiz Baranóski - Ludovico

Agi pela emoção e não pela razão. Na segunda de manhã, chamei meu avô, conversamos e falei pra ele da minha decisão. Meio relutante me apoiou. No dia seguinte peguei carona na Kombi do seu José, um padeiro evangélico que distribuía pães em Mangueirinha e Região e fui embora pra Pato Branco, onde fui muito bem acolhido pela saudosa tia Maria. Nessa cidade enfrentei as mais duras penas. Menor de idade, sem profissão e sem estudos. Não fosse a bondade dos tios Maria e Elias e a minha fé, menor que um grão de mostarda, eu poderia ter entrado por caminhos tortuosos. Mas esse é um capitulo que contarei oportunamente.

Meu saudoso avô Ludovico faleceu atropelado em Dois Vizinhos e minha avó faleceu alguns anos depois na mesma cidade.

Por quê Osmar que vem pra bem?

Numa oportunidade eu proferia uma palestra para um grupo da terceira idade. Ao término, conversando com algumas pessoas dentre elas uma senhora de uns 70 anos de idade lhe perguntei por que aquele galho de arruda atrás da sua orelha esquerda? De pronto ela me respondeu num caipireis coloquial: “Isso aqui é pra espantá os mar!”. Não tive dúvidas... garrei o trecho.

sábado, 21 de junho de 2014

Ser Igreja é jogar no time de Jesus


Para jogar no Time de Jesus, e fazer o gol da união, nesse time não tem reserva, com Jesus Cristo todos são titulares.

Por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no dia da Ascensão do Senhor, o Papa Francisco escolheu o tema: A Busca por uma autêntica Cultura do Encontro, refletindo sobre a importância das mídias sociais como ferramentas para Evangelizar e facilitar o encontro das pessoas consigo mesmas, com os outros e com Deus.

Com a advinda da Copa do Mundo ao Brasil foi oportuno fazer essa correlação, uma vez que o futebol no Brasil é tido como uma paixão nacional.

Papa Francisco afirma que é preciso superar o racismo e que o futebol deve ser uma escola de construção para uma cultura do encontro, que permita a paz e a harmonia. O Pontífice usa também uma gíria brasileira para defender o espírito de equipe não só no esporte, mas entre as pessoas e culturas: "Não é só no futebol que ser 'fominha' constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos 'fominhas' na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada". O Papa afirma esperar que a Copa seja, além do esporte, festa de "solidariedade" entre os povos.


É preciso tomar cuidado com o perigo do ostracismo, fechamento das pessoas entre si provocado pelo uso indiscriminado das mídias, especialmente os celulares, a internet e seus aplicativos, que muitas vezes dão a falsa sensação de liberdade e inserção na sociedade, quando de fato as pessoas vivem num mundo virtual, que não raro acaba levando o individuo a um isolamento tão grande que frequentemente culmina com dezenas de pessoas sob o jugo de uso de drogas, da depressão e não obstante, da morte violenta.Talvez por que faltou a cultura do encontro pessoal e comunitário.

Recordando como no passado, o futebol era uma ferramenta de promoção do encontro, principalmente nas pequenas cidades, vilarejos e zonas rurais. Nos finais de semana, adolescentes jovens e adultos, marcavam pra logo depois da novena uma partida de futebol quer seja amistosa ou um campeonato e por que não um torneio cujo valor agregado era nada mais que o prazer de se encontrarem para medir suas forças e suas capacidades técnicas em campo, mas o que tinha peso maior era o prazer de se encontrarem. Era a alegria de rever o amigo, o colega, o compadre, o vizinho e comprovar que estava tudo bem com ele. 


Como hoje vivemos em uma selva de pedras, onde até os campinhos de futebol viraram produto de exploração imobiliária, a opção encontrada por muitos jovens e adolescentes é se refugiar no quarto, que logo se torna entediante e principalmente um presídio inclusive para as emoções.

Mas é importante dizer que existem alternativas que precisam serem buscadas constantemente, como por exemplos: Os encontros de jovens através da pastoral da juventude, os Grupos de Reflexão e outras alternativas de encontros em pastorais e movimentos. São tantas as alternativas que promovem encontros que é possível fazer algo prazeroso e útil. Além da área dos esportes, a cultura também facilita o encontro das pessoas para estreitar os laços de amizade.

Que tal, pessoas que se encontram para tomar um chimarrão, conversar, promover algum evento cultural como as rodas de viola, músicas, teatro, enfim. Há uma gama de situações que podem muito bem promoverem a amizade, o companheirismo e daí surgir algumas ideias que desperte nas pessoas o entusiasmo, a alegria e o prazer de sentir útil jogando no Time de Jesus. Nesse campo tem vagas...


Pense nisso.

Diácono Osmar Vieira
Jornalista - DRT-PR 04975

sexta-feira, 13 de junho de 2014

CRISTO ENTROU EM MEU CORAÇÃO POR UM BURACO
O anjo: Irmã Maria Ignez Mazzero. (em memória).

Quando o medo e o desespero se apoderam da gente, é que sentimos o quanto somos fracos e impotentes diante do magistral poder de Deus.

Há alguns anos, mais precisamente em 1979, após realizar uma bateria de exames, o médico confirmou um diagnóstico que me fez tremer. A hipertensão que ameaçava minha saúde, apesar dos meus vinte anos, provinha de uma cardiopatia congênita. Poderia ser corrigida com uma delicadíssima intervenção cirúrgica no coração. Com uma possibilidade remota de êxito. Por outro lado, certamente sem a cirurgia, dificilmente alcançaria os trinta anos de idade. O coração não resistiria e num momento qualquer poderia deitar-me para jamais levantar. Lamentei profundamente não ser uma pessoa influente e dessa forma conseguir um tratamento especial em Cleveland, nos EUA. Mas tive a grande sorte de possuir amigos de verdade, colegas que me deram apoio moral e financeiro. É bem verdade que alguns deles não acreditavam na possibilidade de um reencontro comigo vivo.
Até então, eu me considerava “católico”, como muitos por aí. Deus não estava na minha lista de prioridades. Não passava de um fariseuzinho, pobre com cabeça de rico... Acomodado, massificado... diria que um alienado.

Mesmo assim eu pensava muito em Deus quando me via em apuros. Nossa Senhora Aparecida sempre era o meu porto seguro. Ao perceber as primícias de uma tempestade, sentia medo e até rezava, embora sem muita convicção. Nos bons momentos, até fazia chacota e ajudava a “tirar sarrinho” e zombar da religião e de Deus.
Diante da realidade, sabendo estar condenado à morte, comecei a me voltar um pouco mais para as coisas divinas. Casado havia pouco tempo, minha esposa entrava em desespero toda vez que tocávamos no assunto (talvez por perceber que em breve poderia tornar-se uma “viúva-fresca”). Desde então, passamos a rezar juntos e ler a Bíblia. Onde encontrávamos frases de conforto que nos enchiam o coração, tais como: OUVI TUA ORAÇÃO E VI TUAS LÁGRIMAS; E EIS QUE EU TE SARAREI (II Reis 20,5).
Com um fio de esperança, deixei o Sudoeste do Paraná com destino a São Paulo, no dia primeiro de maio de 1.979. Na saída, o beijo, um abraço e as lágrimas da esposa... E o conforto na Palavra de Deus: “MÃO DIREITA E TE DIGO: NÃO TEMAS QUE EU TE AJUDO” (Is. 41,13).
Já em São Paulo, descobri que haviam médicos tão capacitados pelo SUS, como nos EUA. No dia 29 de maio, fui conduzido a uma das salas de cirurgia da BENEFICÊNCIA PORTUGUESA e, enquanto eu dormia, sob efeito da anestesia, os médicos abriram uma grande fenda em meu corpo, paralisando o coração.
Penso que Cristo aproveitou a oportunidade, entrou veladamente e alojou-se num cantinho qualquer... NÃO TE DEIXAREI NEM TE DESAMPARAREI (Heb. 13,5).
Dez dias após a cirurgia (que numa verdadeira zebra deu certo), lá estava eu sobre o leito com fortes dores em toda a região lombar (pudera o corte mediu 32,5 centímetros, com 43 pontos. Daria pra ganhar três esportivas e ainda sobrariam pontos). De repente, a porta da enfermaria se abriu e com espanto percebi a presença de um colega que havia percorrido mais de mil quilômetros e naquele labirinto, da selva de pedra paulista havia me encontrado vivo.

Conversamos, rimos, mostrei lhe a cicatriz do corte feito pelo Dr. Zerbini   e a Equipe do Professor Dr. Radi Macruz. Em um dado momento, esse colega perguntou-me se eu era católico. Respondi que sim. Contou-me então que no dia em que eu estava sendo operado, a Comunidade reunida celebrou uma Missa pedindo a Deus pela minha saúde. Lembrou-me ainda que foi um pedido feito pelo meu anjo a freira franciscana, Irmã Maria Ignez Mazzero (in memoriam).
Após esse colega deixar o hospital, uma grande angústia tomou conta de mim. Ao imaginar uma multidão rezando para que tudo desse certo comigo... senti uma grande emoção e então chorei.
Era preciso de alguma forma retribuir tanto carinho e preocupação dos meus amigos. Mais do que nunca, senti uma grande vontade de viver. Ali na cabeceira da cama estava o Livro Sagrado que me inspirava: SABERÁS QUE EU SOU O SENHOR, E OS QUE CONFIAM EM MIM NÃO SERÃO CONFUNDIDOS (Is 49,23).
Euryclides de Jesus Zerbini (1912-1993)
Eram tantos os pensamentos que a gratidão exigia uma mudança de vida radical, ou seja, uma conversão. Incrível, foi preciso acontecer quase uma desgraça, para iniciar-se em mim um processo de desinstalação do comodismo e começar uma ação que durará enquanto houver vida.
Até hoje, foram duas cirurgias cardíacas. A primeira de coarctação da aorta, a segunda, há 10 anos pra instalar uma válvula mitral metálica. Depois, sete dias internado com suspeita de uma fratura cervical, ao sofrer o atropelamento por um FIAT 149... Opa, não era FIAT 147? – Era, mas depois encontraram mais dois defeitos nele elevando-o para 149.
Calma que ainda não acabou! Do ano passado (2013), foram três AVCI, Acidente Vascular Cerebral Isquêmico, um deles me renderam quatro dias internado na Unidade de Terapia Intensiva, que me deu uma entortada, mas não me derrubou.
Dá pra concluir, que Deus nos conquista por Amor ou pela dor, que fomos escolhidos por Deus, e por isso viemos ao mundo numa disputa descomunal, quando um dia na concepção milhares de espermatozoides buscavam fecundar um único óvulo. E nós chegamos lá. Você, eu... 
Meu Deus! Como é possível que alguém tenha a coragem de tirar uma vida, matando ou praticando a pior de todas as covardias, o aborto? "EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA PLENAMENTE" (Jo 10,10).

Por isso acredito que cada um de nós tem uma MISSÃO a ser cumprida. E você Já descobriu a sua? Está esperando o que para se converter? Que abram um buraco no seu corpo? – “SE VÓS ESTIVERDES EM MIM E AS MINHAS PALAVRAS ESTIVEREM EM VÓS, PEDIREIS TUDO O QUE QUISERDES, E VOS SERÁ FEITO” (Jo 15,07).